Operação da PF põe do “mesmo lado” juiz que encarou PCC e novo patrão do tráfico

A Operação Sanctus, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em dezembro de 2023, colocou do “mesmo lado” o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, que se projetou internacionalmente pelo enfrentamento à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), e o empresário douradense Hermógenes Aparecido Mendes Filho, 49 anos, que é apontado como substituto de liderança da facção criminosa Comando Vermelho no Paraguai.

A defesa de Mendes está a cargo do escritório de advocacia de Odilon, que se aposentou em 2017, após 31 anos na magistratura federal.

Na última segunda-feira (dia 13), a defesa conseguiu uma vitória no TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). O desembargador federal André Custódio Nekatschalow suspendeu a autorização do leilão de duas fazendas no Mato Grosso, sítio em Dourados, avião, três caminhões e de 2.180 cabeças de gado de corte.

Em 2022, o juiz aposentado foi estrela do documentário “Odilon – Réu de si mesmo”, da HBO Max. Na produção, Odilon relata a trajetória de marcado para morrer e temeroso de ser alvo de vingança pela condenação de narcotraficantes, incluindo Fernandinho Beira-Mar e Jorge Rafaat.

Anos antes, estreou na política e chegou a disputar o segundo turno da eleição para governador em Mato Grosso do Sul.

Em reportagem divulgada em 2017, a Revista Época divulgou que o PCC já ofereceu R$ 1,5 milhão a quem entregasse Odilon morto.

No ano de  2016, o magistrado foi a inspiração para o filme “Em Nome da Lei”. Um juiz interpretado pelo ator Mateus Solano enfrentava tráfico na região de fronteira. Atuando em Ponta Porã e ex-titular da 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, especializada em combate a crime de lavagem de dinheiro, Odilon ganhou projeção após ameaças de morte, condenação de traficantes afamados e ter escolta 24 horas da PF, incluindo do trabalho ao treino de corrida.

Ainda de acordo com ele, o escritório já atende outros casos relacionados a trafico de drogas, sendo muitos processos de fora do Estado. “Na esfera criminal, é muito procurado pela atuação durante décadas nessa área, inevitável que pessoa de todo Estado solicitasse”.

Patrão – Réu na Operação Sanctus, deflagrada pela Polícia para desmontar esquema internacional de tráfico de cocaína, Hermógenes Aparecido Mendes Filho, 49 anos, teve destacada evolução financeira em uma década: passou de dono de açougue de bairro a empresário de sucesso em Dourados.

Nos últimos anos, passou a ostentar nas redes sociais. Em sua conta no aplicativo Tik Tok, postou mostrando a criação de gado e passeando de quadriciclo em sua fazenda, a Beira Rio, em Mato Grosso. Após a prisão, a conta foi apagada.

A Justiça Federal aceitou, no mês passado, a denúncia contra Hermógenes e mais sete pessoas. De acordo com a defesa, o empresário responde por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No entanto, a 3ª Vara da Justiça Federal em Campo Grande rejeitou a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) por tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico, relativamente a flagrante no Rio de Janeiro.

Segundo o juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, a decisão é por “incompetência territorial” e “desnecessidade de unidade de processamento”.

Em pedido ao TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) para transferir Hemórgenes de Campo Grande para Dourados, a defesa apontou que a fundamentação de que ele mantinha a liderança da organização criminosa para o tráfico de drogas não se sustenta diante da rejeição da denúncia.

“Contudo, verifico que a rejeição da denúncia não ocorreu por ausência de elementos de que o paciente tenha praticado as condutas de tráfico e associação para o tráfico, mas tão somente pela consideração de incompetência territorial e pela desnecessidade de reunião de processos referentes aos crimes antecedentes ao crime de lavagem de capitais, apurados pela 5ª Vara Federal criminal, vara especializada”, apontou o desembargador Nekatschalow, que negou a transferência do preso em 26 de abril.

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