Idoso que morreu após mordida de pitbull procurou médico 1 dia depois de ataque –

Dirceu de Carvalho Júnior, 60 anos, que morreu ontem, na Santa Casa de Campo Grande, somente procurou atendimento médico um dia depois de ter sido mordido por cão da raça pitbull. O ataque aconteceu quando ele saía da casa de uma amiga, no Jardim Los Angeles, no domingo (14).

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que segundo registros do CCZ (Centro Controle de Zoonoses), ao recolher o pitbull, orientou Dirceu a procurar atendimento médico. Ao se negar a seguir as orientações, o idoso assinou um termo de comprometimento confirmando que estava ciente das orientações repassadas.

A nota recebida ressalta que a própria vítima realizou um curativo na ferida para estancar o sangramento.

“No dia seguinte, 13, ele esteve em uma unidade de saúde, onde foi atendido, realizada assepsia da ferida e sutura. Além disso, foi receitado um antibiótico e orientado que o paciente se encaminhasse à UPA Nova Bahia para que fosse ministrado o soro antirrábico. Entretanto, o paciente retornou à mesma unidade no sábado, com piora da lesão e sem fazer uso da medicação prescrita”, informa a nota.

Após o agravamento do quadro clínico, Dirceu foi colocado em observação. Ainda é informado que foi ministrada medicação intravenosa e realizado pedido de transferência hospitalar, sendo encaminhado à Santa Casa no mesmo dia. “Sendo assim, é possível observar que, em todo momento, o paciente foi orientado sobre quais medidas tomar para evitar o agravamento clínico, não sendo seguidas as recomendações que lhe foram passadas”, encerra a nota.

A Santa Casa da Capital relatou que Dirceu deu entrada no hospital pelo pronto-socorro na terça-feira e, após ser avaliado pela equipe de cirurgia plástica e ortopedia, foi identificada a necessidade da realização de cirurgia por conta do ferimento infectado. Porém, o quadro do homem acabou evoluindo para um choque séptico.

O dia do ataque – O Campo Grande News esteve hoje no local onde o ataque ocorreu e conversou com uma pessoa próxima ao idoso. Pedindo para não ser identificada, a mulher contou à reportagem que antes de ser mordido, Dirceu estava em sua casa.

“Ele tinha ido em uma mercearia, comprou algumas coisas e foi para minha casa. Quando ele estava saindo de lá o cachorro que estava na rua atacou o Dirceu, do nada. O ferimento chegou a romper a veia da mão direita, mas ele não quis receber atendimento”, contou.

A mulher ainda relata que, após muito insistir, conseguiu convencer o idoso no dia seguinte a ir até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, pois o ferimento em sua mão continua sangrando.

Na unidade de saúde, segundo a amiga da família, foi realizada a sutura da mordida e ele voltou para casa. No domingo, Dirceu continuou se sentindo mal e, novamente, procurou atendimento médico.

Ao chegar na UPA pela segunda vez, o homem recebeu o encaminhamento para transferência imediata para a Santa Casa. Porém, não resistiu ao ferimento e acabou morrendo. “A família está muito abalada porque foi de repente e também pela forma que foi, porque foi um descuido de alguém”, disse a mulher.

Ainda segundo a mulher, o cachorro que atacou Dirceu não pertence a ninguém da vizinhança. Também foi relatado que desde a última sexta-feira, ninguém foi até o local procurar pelo animal. O pitbull foi recolhido pelo CZZ. –

Anteriormente, a Sesau, que responde pelo Centro de Zoonoses, por nota, explicou que o animal está passando pelo protocolo da secretaria e que ele ficará em observação durante dez dias para avaliar todos os tipos de doenças, inclusive, raiva. O cachorro ainda permanece sendo observado.

Pouca demanda – Para a reportagem, a Santa Casa ainda informou que o hospital não tem alta demanda de pacientes vítimas de mordeduras. Em 2022, foram atendidos 115 pacientes vítimas de ataques de animais. No ano seguinte, o número de atendimentos subiu para 176. Apenas do 1° ao dia 18 de janeiro, deste ano, já foram recebidos 10 pacientes vítimas de ataques de animais.

Ainda foi informado que o número de óbitos em decorrência desses ataques são difíceis de ser calculado, pois não há um relatório específico para esses casos. Para obter esse dado, seria necessário consultar prontuário por prontuário.

Orientações –  O médico veterinário e ex-vereador da Capital, Francisco Gonçalves explicou para a reportagem que em casos de ataques de animais a pessoa deve lavar o local com água e sabão de imediato. Ainda é dito que se deve procurar uma unidade de saúde logo em seguida, para que seja recebido o tratamento antirrábico e, se for o caso, a vacina antitetânica que são protocolos do Ministério da Saúde para todo o Brasil.

“A experiência que eu tenho com um animal, inclusive já fui atacado por pitbull, que é um animal dócil, não é essa lenda que se conta que pitbull mata. Você só não pode se descuidar. Você tem que saber que é um animal que tem muita força e se você ver o animal solto em via pública, você deve procurar um local seguro para ficar e avisar as autoridades, avisar o Centro de Controle de Zoonose ou Corpo de Bombeiros para que faça a remoção desse animal”, pontua. –

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