De improvisos às inéditas cotas para indígenas, Uems chega aos 30 anos –

O calouro que imaginava no primeiro dia de aula de 1993 pisar em um prédio enorme, dividido em vários blocos, com laboratórios e muitos livros à disposição, se frustrou com o que a Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) oferecia há 30 anos. Da implantação durante o governo Pedro Pedrossian até agora, a instituição passou por muita coisa, enfrentou polêmicas, mas segue resistindo aos percalços de uma instituição  pública, agora com a a experiência de 3 décadas.

Fafá de Belém foi a convidada para fazer show da inauguração das atividades dessa que foi a segunda instituição pública de Ensino Superior criada no Estado. As aulas começaram nos meses seguintes, mas em local improvisado e professores convocados de escolas estaduais.

O primeiro prédio próprio ficou pronto só após um ano, em Dourados. O município sul-mato-grossense era e ainda é o segundo mais populoso, atrás de Campo Grande. Foi o lugar escolhido para ser sede administrativa da universidade, o que acenava para a necessidade de deixar o ensino público superior mais acessível ao interior.

A espera para estudar num espaço com estrutura acadêmica foi bem maior na Capital. Alunos e funcionários passaram 14 anos pulando de local em local emprestado até a conclusão das obras do campus. Foi um caminho de grandes investidas, mas também frustrações.

O alívio de mais vagas com a criação do curso de Medicina, por exemplo,  virou decepção diante de anos sem estrutura. –

O tempo ampliou a presença, a estrutura e a variedade de opções para formação. Em 2023, na terceira década de vida, a Uems chegou até outras 28 cidades. Agora são 15 prédios e 13 os polos de ensino a distância distribuídos entre as regiões de Mato Grosso do Sul. A quantidade de cursos abertos já ultrapassa os 70 e a de acadêmicos matriculados, 7,5 mil.

O que na fase atual também é destaque, são a criação de unidade no Bairro Moreninhas, um dos mais populosos da Capital, e de novos cursos voltados à formação de indígenas.

Cota inédita – Motivo de resistência e chuva de críticas no início, a reserva de cotas para garantir gente mais diversa nos corredores da universidade se tornou política de inclusão histórica no Estado e no Brasil.

A Uems foi uma das primeiras no País a adotá-las para ampliar o número de pessoas negras cursando faculdade, e pioneira a contemplar indígenas com essa mesma finalidade.

A pedagoga indígena Karine Sobrinho, 40, se beneficiou. Ela é etnia Terena e vem de uma família espalhada entre Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, e o interior do Estado de São Paulo. Já morando em Campo Grande, ela foi aprovada para entrar na instituição como cotista e terminou o curso em 2013. –

Segunda da família a subir o degrau do Ensino Superior, ela escolheu se formar na área da educação por ter crescido em meio a professores. Ao escolher a universidade estadual, ela considerou que formar educadores para abastecer as escolas de ensino básico era um dos pontos que guiou a criação da instituição.

 

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