Brigas de alunos não tumultuam só as escolas, também lotam a delegacia

Tráfico de drogas, seguido por roubo e furto de veículos são casos de atos infracionais graves cometidos por adolescentes registrados na Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), em Campo Grande. Mas o carro chefe, as ocorrências que lotam “a mesa”, são os delitos ocorridos em escolas, como difamação, injúria, ameaça e vias de fato. “Tudo o que você imaginar”, disse a delegada Daniella Kades, titular da delegacia.

Na última quarta-feira (6), por exemplo, estudante de 17 anos foi agredido por quatro alunos na saída da Escola Estadual Maria Leite, em Corumbá, distante 428 quilômetros de Campo Grande, no cruzamento da Rua Geraldino Martins de Barros e Avenida Porto Carrero. O menino agredido disse que o desentendimento começou na escola quando o autor o viu conversando com a ex-namorada dele.

Segundo a delegada, os casos que chegam à delegacia são encaminhados pela escola ou pelos pais. O carro chefe são os delitos escolares ocorridos dentro da escola ou fora, mas que tem relação com alguma intriga iniciada no ambiente escolar. “Isso é natural, porque o adolescente começa as relações interpessoais na escola. Ele sai do ambiente de casa e o primeiro contato que ele tem com pessoas adversa à família é a escola, onde encontra pessoas diferentes e tem que respeitar o limite do próximo”, disse.

Na quinta-feira (7), adolescente que não teve a idade divulgada causou pânico em uma escola pública da cidade de Terenos, a 31 km da Capital, depois de levar arma de brinquedo e munição para ameaçar duas colegas, dizendo a uma delas que a mandaria “para o inferno”. A arma e a munição estavam escondidas na mochila dele. Indagado, o garoto disse que levou a arma porque estava sendo ameaçado por outros alunos. O menor de idade, junto da mãe, foi levado para a delegacia de Polícia Civil.

Dados do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) em anuário divulgado ontem (7), mostram que Mato Grosso do Sul é um dos sete estados que mais registraram discriminação contra algum integrante da comunidade escolar. Distrito Federal e Santa Catarina lideram os casos. “Aquele adolescente que não aprendeu a ter limite em casa, vai ter dificuldade para conviver com os outros dentro do ambiente escolar. É o jovem vivendo em sociedade. É natural que as intrigas e os problemas comecem a se desenvolver na escola”, destacou.

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